sexta-feira, 30 de maio de 2014

O guia prático para harmonizar a sua comida com o vinho

O outono está aqui e já está deixando bem claro que o inverno está chegando (ou Winter is Coming, algum fã de Game of Thrones por aqui?). Graças aos deuses!!! Sou fã declarada do frio. Amo tudo em relação à ele: os casacos quentinhos, as meias grossas, a comida mais pesada e claro, os vinhos. Eu e o marido bebemos bastante vinho por aqui. A coleção de rolhas não nos deixa mentir...


Eu gosto mais dos tintos, o marido dos brancos. Nós dois gostamos dos franceses. E assim vamos levando nossa vida bebendo muitos vinhos, com apenas uma regra: beber o que a gente gosta! Por melhor que seja a indicação do vinho, se não gostamos, não tem o que fazer. 


E o mesmo vale para este guia prático para harmonizar a sua comida com o vinho. Leve em consideração as minhas indicações, mas no final o seu gosto pessoal vale mais, confie nele! Agora se você estiver num daqueles dias de dúvida, ou um pouco perdido com a quantidade cada vez maior de vinhos à venda no mercado, esse pequeno guia pode te ajudar e muito. 


Tentei deixar tudo simples e direto. Você escolhe o que vai cozinhar, dá uma olhada nas indicações gerais, e se quiser, clica na minha indicação pessoal e compra diretamente do site Wine.com.br. Antes que você tenha pensamentos equivocados, isto aqui não é um post patrocinado. Apenas temos o costume de comprar deste site e acho que vale a dica. Boa variedade e preços bons. E o que seria de um guia prático para harmonizar a sua comida com o vinho se não tivesse a indicação de onde comprar?


Agora vamos lá, que escrever tanto sobre vinho já está me deixando com vontade de abrir uma garrafa... 




CARNE VERMELHA DE GADO E CORDEIRO


Carnes vermelhas em geral tendem a roubar a cena de qualquer prato. Para o vinho não ficar por baixo, precisa ter a mesma personalidade. E aí os franceses e italianos são os ícones. 

Aqui na América Latina, os argentinos Malbec cumprem esse papel muito bem!

Grelhada, assada ou churrasco: Cabernet Sauvignon do Chile, Malbec da Argentina e tintos de Bordeaux

Com molho: o francês Chateauneuf-du-Pape ou o italiano Brunello di Montalcino


Preço: R$ 224,00




CARNE DE PORCO E VITELA


A carne de porco e a de vitela são mais suaves, portanto, pedem vinhos mais leves também. Ainda dá para usar e abusar de tintos, principalmente os da uva Pinot Noir (minha favorita)

Mas, se quiser arriscar em um branco, o Sauvignon Blanc é ótimo.

Assada: tinto Pinot Noir, tinto Beaujolais ou branco Sauvignon Blanc

Com molho: o francês Chateauneuf-du-Pape ou o italiano Brunello di Montalcino


Preço: R$ 107,00






AVES

Como já não é mais segredo por aqui que eu não gosto de frango, já posso ser sincera. Eles não têm gosto de nada. O que obriga a harmonização com um vinho branco, bem simples. 

Já com pato a história é outra! Qualquer vinho com a uva Pinot Noir encaixa perfeitamente!

Frango: branco Chardonnay

Pato: tinto Pinot Noir 


Preço: R$ 68,00






PEIXES E FRUTOS DO MAR

No geral, um branco Chardonnay pode acompanhar qualquer tipo peixe e frutos do mar. É aquela opção "carta na manga" para não fazer feio nunca. 

Mas agora, se quiser arrebentar na harmonização, vá de tinto Pinot Noir para acompanhar um salmão ou Champagne para todo o resto!

Em geral: branco Chardonnay ou Riesling

Salmão: branco Pinot Gris ou tinto Pinot Noir 

Caviar e ostras: Champagne (ou vodka, claro, mas não é o tema aqui)

Minha indicação: Champagne Taittinger Les Folies Brut 750ml (esqueça Veuve Clicquot de uma vez por todas, esse é o melhor champagne francês, na minha opinião claro...)

Preço: R$ 278,00





MASSAS


Aqui quem vai mandar na escolha do vinho é o sabor predominante no prato, e não o tipo de massa. 

Se for um molho de tomate, o vinho perfeito sempre será um Chianti italiano, independente se for spaghetti à bolonhesa ou penne arrabiata

Com molho de tomate: tinto italiano Chianti

Com molho de creme: branco Sauvignon Blanc


Preço: R$ 104,00




QUEIJOS

Finalmente chegamos neles! Existe combinação melhor do que a já batida, repetida mas nunca superada "queijos & vinhos"? Para começar, meus favoritos: queijos azuis! Eles ficam perfeito com vinhos de sobremesa. É a combinação salgado e doce que eu amo tanto. 

Já os vinhos amarelos duros fazem um belo par com vinho tinto. O tinto italiano Amarone é a melhor opção, mas a verdade é que o vinho tinto que você está terminando de tomar durante o jantar também será perfeito.

Por fim, os queijos brancos macios. Um clássico Chardonnay resolve bem se você quiser um branco e o Pinot Noir se a preferência for de tintos.

Azuis (gorgonzola, roquefort, stilton): doce Sauternes 

Amarelos duros (grana padano, parmiggiano reggiano): tinto Amarone

Brancos macios (cabra, camembert, brie): branco Chardonnay 

Minha indicação: Grande Renaissance Sauternes 2010 (375 ml) (meia garrafa está de bom tamanho, ninguém aguenta tomar muito vinho doce...)

Preço: R$ 42,50




SOBREMESA

Se depois de tanto vinho ainda sobra espaço para um especial de sobremesa, a regrinha é simples de lembrar. Vinho doce Sauternes para todas as sobremesas que não levem chocolate. 

Para quem não resiste ao prazeres do cacau, acompanhe com vinho do Porto!


Em geral: doce Sauternes 

Chocolate: vinho do Porto



Preço: R$ 77,00




BÔNUS


Esse é aquele vinho que não importa a comida, a companhia, o lugar, ou até a safra. Se eu tiver oportunidade, vou tomar! 

Uma das coisas que fazem o Caballo Loco tão especial é que ele, ao contrário de todos os demais, não tem safra. Ele tem números. Cada número signifca uma mistura da safra atual com a antecessora. Assim, o número 13 é uma mistura da safra 13 e da 12. 

Além disso, ele é o tipo de vinho que se basta. Não precisa de queijos, pães, etc. Ele sozinho já é bom demais!

Vinho Valdivieso Caballo Loco 13 Tinto Chile 750 ml

Preço: R$ 330,00




Mas se ainda assim ficar na dúvida...

Pense que as comidas tendem a ir muito bem com os vinhos de sua região de origem. 
Por exemplo, se está comendo um assado Argentino, um vinho com a uva Malbec parece uma boa escolha.
Não é obrigatório escolher assim, mas ajuda na hora de pedir...


Espero que tenha gostado deste guia prático para harmonizar a sua comida com o vinho, e se tiver alguma sugestão de vinho imperdível, vou adorar receber :)



Imagens: Wine.com.br

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Bolo de queijo de Blumenau - tentativa número II

Há mais ou menos dois anos estava eu na minha cozinha, em um fim de tarde, cheia de esperanças para reproduzir um dos meus doces favoritos: o bolo de queijo lá de Blumenau, também conhecido como Käsekuchen. Não deu muito certo. Ele ficou bom, mas o gosto e a textura ficaram longe do original. Para quem quiser mais detalhes, dê uma olhadinha aqui.

Então ontem, finalmente, voltei pra cozinha com a mesma intenção, reproduzir o meu amado bolo de queijo, só que agora com uma receita totalmente diferente. Minha tia achou na internet e me passou o link do blog da Angelina Wittmann (para ver o tanto que gosto deste bolo, a família toda está me ajudando na busca da receita perfeita).  E lá estava ela, a receita, com direito a história do bolo de queijo, fotos e passo-a-passo detalhado! 

Segui à risca, uma das poucas vezes em que não mudei absolutamente nada no preparo. E dessa vez o resultado compensou... Um bolo de queijo perfeito e idêntico aos vendidos lá na minha terrinha! 




Bolo de Queijo (Käsekuchen) 


Massa
2 xícaras de farinha trigo
1 xícara de açúcar
4 colheres de manteiga ou margarina
1 ovo
1 pitada de sal
1 colher de chá de fermento "royal" ou de bolo

Recheio
1/2 Kg  de queijo branco sem sal *
1 1/2 xícara de açúcar
1 1/2 colher de farinha de trigo
3 ovos, gemas e claras separadas
6 colheres de sopa de  nata *
1 colher de fermento "Royal" ou de bolo
1 pitada de sal
raspas de limão galego *




Preparo Massa
Misturar todos os ingredientes. Amassar bem. 
Untar uma forma redonda com o fechamento lateral extraível. 
Forrar o fundo e os lados da forma com uma camada fina da massa. 
Furar a massa com garfo. Reservar.





Preparo Recheio
Bater no processador o queijo, açúcar, farinha e gemas até formar uma massa homogênea. 
Em outra vasilha bater as claras em neve com um pitada de sal.
Acrescentar o fermento e as raspas de limão.
Misturar tudo à massa de queijo, com suavidade.
Colocar o creme de queijo dentro da forma forrada com a massa firme. 
Para acabamento, abaixar a beirada da massa firme até o nível da massa creme. 
Assar, por aproximadamente 40 minutos, em forno pré-aquecido a 180o C. 
Estará pronto quando aproximadamente três dedos da borda para o centro estiverem firmes. O centro irá endurecer fora do forno.




Para ficar com a cara de Blumenau, servir com café e leite quente. De preferência, café "amargo", sem açúcar. 


terça-feira, 27 de maio de 2014

Bacalhau e compota de bacon, feitos um para o outro

A ideia para criar esse prato começou pelo molho. Eu comprei durante uma viagem um pote de compota de bacon. Isso mesmo. Compota meio doce, meio salgada, com um sabor defumado delicioso. Ela é feita com bacon, cebola, alho e açúcar (além de outros temperos), e é indicada pelo fabricante para bruschettas e afins. 

Agora antes de partirmos para a receita do prato, deixa eu adivinhar... Você deve estar pensando "legal, mas como eu faço para ter isso?". Então, temos dois caminhos. O primeiro é comprar pronta, a Amazon.com vende uma versão muito parecida com essa que eu comprei. O segundo é fazer sua própria compota de bacon, com essa receita abaixo...


Compota de Bacon

Ingredientes
500g de bacon defumado, em pedaços
1 cebola, picada
4 cabeças de alho, picadas
3 colheres de sopa de açúcar mascavo
algumas gotas de Tabasco
1 xícara de café
¼ xícara de vinagre de maçã
¼ xícara de maple syrup ou melado de cana
pimenta do reino moída na hora
¾ xícara de água

Como fazer
Doure o bacon em fogo médio, em uma frigideira grande.
Assim que ele pegar uma cor, acrescente a cebola.
Quando a cebola amolecer (em torno de 5 minutos), adicione o alho e cozinhe por 5 minutos.
Adicione então o açúcar, tabasco, café, vinagre, maple syrup e pimenta.
Ferva e abaixe o fogo. Cozinhe por 2 horas, adicionando ¼ xícara de água a cada 30 minutos.
Espere esfriar uma meia hora e passe para o processador.
Se preferir uma textura mais grossa, como de um chutney, pulse algumas vezes apenas.
Se quiser bem fino e liso, bata continuamente.
Conserva bem por 10 dias em geladeira.


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Bom, agora que já você já tem sua compota de bacon (comprada ou caseira), fica muito fácil preparar qualquer prato. E as opções são infinitas. Por exemplo, a primeira coisa que me vem na cabeça é usar carne de porco. Uma costelinha temperada com a compota de bacon, embrulhada no papel-alumínio e assada em forno baixo por horas é de morrer...

Mas, dá para fazer melhor! E minha sugestão é combinar a compota de bacon com um peixe saboroso, cortado em postas altas e que tenha tanta personalidade quanto o bacon. Se você, como eu, pensou em bacalhau, bingo!

A dica aqui é dourar bem a pele, até ficar crocante e com aquela cor bonita. Aí é só combinar com algum legume que você tenha na geladeira (eu usei mini cenouras orgânicas) e uma boa quantidade da compota de bacon aquecida com um pouco de água e caldo de carne líquido, para dar mais complexidade ao molho.

É para comer de joelhos...



Bacalhau e compota de bacon

Ingredientes
2 postas de bacalhau, dessalgadas e em temperatura ambiente
1 xícara de compota de bacon
½ xícara de água
1 colher de sopa de caldo de carne líquido
4 cenouras orgânicas, pequenas e descascadas
manteiga
azeite de oliva
sal e pimenta a gosto

Como fazer
Em fogo baixo, cozinhe a marmelada, água e caldo de carne até ficar cremoso.
Encha uma panela com água, sal e 2 colheres de manteiga, cozinhe as cenouras, até ficarem al dente.
Aqueça duas colheres de azeite e doure as postas, com a pele para baixo, até ficarem crocantes.
Vire-as do outro lado e doure por mais 1 minuto.
Monte o prato conforme a foto acima ou da maneira que preferir.



sexta-feira, 23 de maio de 2014

11 coisas que você talvez não saiba sobre mim

Querido leitor ou leitora, chegou a hora de falar sobre algumas coisas que você talvez não saiba sobre mim. O objetivo? Nos conhecermos melhor! Afinal, já são mais de três anos de relacionamento, não é?




1. Eu só cozinhava bolos e doces quando era adolescente. Nada de salgados. E meus bolos levavam OBRIGATORIAMENTE muita margarina Qualy na receita. Era meu segredo para bolos fofinhos.



2. Amo carne de porco. E tudo que vem dele. Especialmente bacon. Bacon. Bacon. Bacon.




3. Por outro lado, odeio e não como frango. Pronto falei.




4. Eu aprendi a cozinhar feijão com o meu avô, nesse dia da foto, em 2010. Com o feijão que ele trouxe e só porque ele achava que eu deveria saber cozinhar feijão. Hoje ele não está mais com a gente fisicamente, mas está em pensamento, sempre que cozinho feijão.




5. Meu sorvete favorito é de maracujá com cobertura de chocolate. Se for de palito, Tablito (bônus: eu odeio rimas, essa aqui foi inevitável).




6. Tenho só uma superstição na cozinha: não asso bolos quando não estou com vontade de cozinhar, porque eles não vão crescer. Minha avó me ensinou isso e eu nunca tive coragem de provar o contrário...




7. Minha junk food preferida é China in Box. Meu combo: dois Rolinhos de Queijo, Yakissoba de Carne Junior e uma Banana Caramelada.




8. Adoro comprar coisas para a cozinha em feirinhas de rua. Quando não posso ir até elas, passo horas no aplicativo do Ebay fuçando cacarecos. Agora a OLX está disputando minha atenção.




9. Meu maior prazer, antes mesmo de cozinhar, é ler. Aprendi a ler antes de ir para a escola, e costumava usar a luz de um rádio-relógio para ler embaixo das cobertas depois que a minha mãe apagava a luz. Tenho mais de 300 livros em casa, 80% deles de gastronomia.




10. Eu sou italiana por parte de pai. Brasileira pura em toda essa nossa mistura por parte de mãe. 




11. Comida francesa sempre será a minha favorita.



Imagens: Google

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Caqui, minha fruta favorita nesse outono (e a receita de pão de caqui)

O Outono é minha estação do ano favorita. Só de estar vivendo ele nestes dias, já acordo feliz! Mas além das folhas secando e do ventinho frio, os produtos da estação são parte significante dessa minha paixão pela estação. Até já escrevi sobre alguns deles há um tempo

A abóbora sempre foi minha preferida com o risoto de abóbora, bacon e mascarpone virando rapidamente a primeira coisa que eu cozinho assim que vejo abóboras frescas. Mas não dá para passar o outono inteiro só com elas. Aí esse ano um novo ingrediente entrou na minha cozinha, definitivamente para ficar: o caqui. 




Eu sei que muita gente vai torcer o nariz, dizendo que já experimentou e não gostou. Que a textura adstringente não agradou, que amarra na boca. E é verdade, pois o nosso caqui-laranjado só fica bom mesmo quando estiver bem maduro, quase mole. 

E é com essa polpa bem doce que o pão de caqui fica perfeito! Esse pão, aliás, surgiu de muita busca pela internet buscando inspiração para fazer alguma coisa diferente com o caqui. Acabei adaptando a adaptação do David Lebovitz, surgindo assim uma terceira versão do delicioso pãozinho.

Na minha versão de pão de caqui, nada de nozes e frutas secas, gosto dele assim, macio. Substituí o whisky por cognac, acho que fica um sabor residual melhor, assim que o álcool evapora. E por fim, ao invés de somente usar noz-moscada, um pouco de canela em pó e mel ajudam na complexidade do sabor final. 

E esse pão de caqui é perfeito para degustar com um chá quentinho no fim do dia...



Pão de Caqui

Ingredientes
3 ½ xícaras de farinha
1 ½ colheres de chá de sal
2 colheres de chá de bicarbonato de sódio
2 colheres de chá de noz-moscada e canela
2 colheres de chá de mel
2 ½ xícaras de açúcar
1 xícara de manteiga derretida e em temperatura ambiente
4 ovos, batidos ligeiramente
⅔ xícara de Cognac
2 xícaras de purê de caqui (polpas de aproximadamente 4 frutas passadas no processador)

Como fazer
Pré-aqueça o forno a 180o C. Unte duas formas de pão com manteiga (eu usei 4 formas médias).
Misture os ingredientes secos. Em seguida adicione os líquidos.
Asse por 40 minutos ou até um palito espetado no centro sair limpo.


O pão de caqui dura até uma semana fora da geladeira, ou até 3 meses congelados.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Como fazer um banquete indiano em 7 pratos

Eu acho que não é mais novidade para nenhum leitor do blog o quanto eu gosto de viajar. Eu aproveito toda e qualquer oportunidade para fazer as malas e viajar um pouquinho! Os destinos são os mais variados, desde uma pousada aqui do lado de São Paulo até a Índia.


E foi justamente para a Índia que fui nessas férias. Depois de anos sonhando e planejando, em Março chegou a hora! Foram quase 20 dias viajando pelo Rajastão, começando no Taj Mahal e terminando no Nepal (até rimou...rs).

Fiquei absolutamente fascinada com tudo nesses dois países: monumentos, pessoas, gastronomia. Foi uma imersão e tanto. E além disso, foi uma viagem entre amigos, antigos e novos, feitos por lá.  


É a velha história, brasileiros quando se encontram no exterior tendem a se juntar. Todo mundo vira família e o lugar vira um pequeno Brasil. Com a gente não foi diferente. A amizade pegou, mesmo depois de termos voltado. 

Aí uma coisa levou a outra e acabamos marcando um jantar indiano aqui em casa, com direito à comida típica, roupas tradicionais que vieram na mala e muito vinho! 

Abaixo o menu da noite, com inspiração indiana, mas adaptados ao meu gosto pessoal. Ou seja, com pouca pimenta e muitas especiarias. O serviço foi no estilo indiano, com pequenas porções espalhadas pela mesa, sem separação de entrada e prato principal.  

As receitas aqui servem apenas de guia, sem quantidades pré-determinadas de nenhum ingrediente. A dica é ir adicionando aos poucos, provando e ajustando. É para ser divertido, como todas as refeições na Índia!



Naan

Naan é o pão fino indiano, presente em todas as refeições. Ele é feito no tradicional forno indiano, o tandoor. Mas, não se deixe abalar pela falta de um tandoor na sua cozinha, nada que uns pequenos truques não resolvam... Vai ficar muito parecido!

Ingredientes
1 pacote de pão sírio ou outro fininho
manteiga derretida

Como fazer
Pincele os dois lados de cada pão com a manteiga derretida e doure em uma grelha bem quente.




Ensopado de Lentilhas e Pimentão 

Os indianos comem bastante lentilha. De várias formas e com várias receitas. Essa não é nenhuma em particular. É uma versão minha, mas que acabou ficando como gostinho de Índia que eu queria. Meu jeito preferido de comer? Junto com o naan!

Ingredientes
500g de lentilhas pretas du Puy (é a versão bem pequena)
2 cebolas, cortadas em cubos
4 pimentões vermelhos, assados no forno por 1 hora, sem sementes e cortados em cubos
ghee (manteiga
especiarias: gengibre, alho, curry, chilli em pó, cominho, noz moscada, pasta de tomate, açafrão

Como fazer
Cozinhe as lentilhas em água com sal e gengibre por 30 minutos.
Enquanto isso, faça um refogado com o ghee, cebolas, pimentões e especiarias.
Adicione o refogado às lentilhas e cozinhe por aproximadamente uma hora.
Acerte o sal.



Curry de Camarão

Curry é com certeza um dos pratos nacionais na Índia. O mais comum é o de vegetais, seguido pelo de cordeiro. É, para ser bem sincera, uma versão da nossa moqueca. Os ingredientes são os praticamente os mesmos:  Esse é aqui é a minha versão "tropicalizada", com camarões!

Ingredientes
ghee
2 cebolas, cortadas em cubos
especiarias: gengibre, alho, curry, pimenta, cominho, noz moscada, pasta de tomate, açafrão
2 latas de tomates pelados
2 vidros de leite de côco
500g de camarões limpos e sem casca
coentro picado para finalizar (que eu esqueci de colocar...)

Como fazer
Doure as cebolas no ghee. Junte as especiarias.
Adicione os tomates pelados e cozinhe por 2 horas em fogo baixo, até os tomates dissolverem bem.
Acrescente o leite de côco e na sequência os camarões.
Cozinhe por 10 minutos, e acerte o sal.



Lombinhos de Leitoa Caipira à Pururuca 

Na verdade, eles não comem muito porco na Índia. Ou carnes em geral. Quase 80% da população é hindu, e por consequência, vegetariana. Os poucos que comem carne preferem o cordeiro. Mas, existe uma região que adora porco: Goa. Colonizada por portugueses, com uma boa população cristã e onde a vaca não é sagrada, todas as carnes vermelhas são bem vindas! Pronto, estava pronta a minha desculpa para cozinhar um porquinho...

Ingredientes
4 lombos de leitoa caipira
sal grosso

Como fazer
Esfregue o sal grosso por todas a carne.
Embrulhe em um saco para cozinhar, conforme instruções do fabricante.
Asse em forno pré-aquecido a 120o graus por 4 horas.
Antes de servir, use a função grill do forno, na temperatura máxima, por 10 minutos para deixar a pele crocante.



Mango Chutney 

Para deixar a leitoa um pouco mais indiana, nada melhor do que um molho bem tradicional! Aqui não tem muito o que inventar, comprei a versão pronta e, em fogo baixo, acrescentei água até ficar na consistência que eu queria. Simplesmente feitos um para o outro...




Yogurte com canela

Essa é uma sobremesa que comi muito na Índia e também no Nepal. Simples de fazer e uma delícia, acho que funciona, para nós, muito bem como uma pré-sobremesa. E o que sobrar fica uma perfeito para o café da manhã!

Ingredientes
250ml de coalhada
250ml de yogurte grego
canela em pó e açúcar a gosto

Como fazer
Vá misturando os quatro ingredientes até ficar na proporção que te agrade. Não tem regra!




Torta de Chocolate com Banana

A inspiração para essa torta veio de um livro de receitas indianas para praticantes de yoga (eu!), que comprei na viagem. Um dos amigos queridos, viajando com a gente, ficou louco para provar. Aí, para o nosso jantar indiano tive que fazer a surpresa... A minha versão ficou bem diferente, por vários motivos. Mas o principal é que eu tinha bastante chocolate da Páscoa aqui em casa e queria usá-los com alguma coisa boa! Essa torta acabou sendo a solução perfeita para agradar o amigo e usar os chocolates! Além do final delicioso para nossa noite indiana...

Ingredientes
1 receita de massa básica para torta
3 bananas prata, cortadas em rodelas
1 xícara de leite
1 xícara de creme de leite
350g de chocolate, picado
2 ovos
3 colheres de sopa de Cognac ou Whisky
cacau em pó para polvilhar no fim

Como fazer
Pré-asse a massa na forma de torta por 30' (furada com garfo, coberta com alumínio e peso em cima).
Aqueça o leite junto com o creme de leite até ferver.
Jogue o líquido sobre o chocolate picado e deixe derreter por cinco minutos.
Acrescente os ovos e o cognac. Misture bem com um batedor.
Arranje as bananas por cima da massa pré-assada.
Despeje o creme de chocolate por cima.
Asse a 180o C por aproximadamente 40 minutos.
Sirva levemente aquecida.

Nota: como há uma grande variação entre os fornos, saiba que a torta estará pronta quando as bordas internas estiverem duras e o centro ainda mole, mas não líquido. Ela terminará de endurecer fora do forno.



A além disso, todos esses pratos ficam ótimos no dia seguinte, então, fazer um pouquinho a mais é uma boa idéia.. :)



quarta-feira, 7 de maio de 2014

A minha faca nova

Uma coisa que sempre achei curiosa em relação à chefs, cozinheiros e afins é o ciúme com suas facas. Elas são uma extensão deles e ninguém pode sequer tocá-las! Dá até briga na cozinha. Inclusive tenho que confessar, já levei algumas broncas por pegar facas emprestadas no esquema "é rapidinho"... 

Mas agora tenho que morder minha língua publicamente: estou com ciúmes da minha faca nova! E a responsável por essa mudança tem nome e sobrenome: Miyabi 6000MCT Artisan Gyutoh 8". Chique demais, né?

Antes de falar sobre o que faz essa bichinha ser tão especial, tenho que contar como cheguei nela... Sou fã assumida de tudo relacionado à design alemão. Acho que eles têm a melhor performance em tudo, desde carros à taças de vinho. Porém, dizem por aí no mundinho da gastronomia que as melhoras facas são as japonesas. Algo a ver com a lâmina, dureza, etc. 

Pesquisa vai e pesquisa vem, cheguei no modelo da minha escolhida: um híbrido. Ela é produzida pela alemã Zwilling, mas na tradicionalíssima cidade Seki, no Japão! O cabo é ocidental, perfeito para nosso jeito de cortar; mas a lâmina é oriental, do jeitinho que tem que ser. 

Um outro detalhe técnico me ajudou na escolha: dureza 63, na escala Rockwell. E o que significa isso? Ela é uma faca dura, um pouco mais difícil de amolar mas segura o fio por muito mais tempo do que uma faca "mole", abaixo de 54. Não precisa amolar constantemente, mesmo usando o dia todo.

Além disso, ela tem um bom peso. Eu não gosto de facas leves e essa tem uma boa "pegada". E por fim, o preço. Outras facas com a mesma dureza chegam a valores próximos de US$ 500, já esta aqui vale US$199!



Olha ela em ação aqui em casa, preparando um Risoto de Abóbora, Bacon e Mascarpone:




Para quem gostou, mais informações em inglês na Zwilling.com e para vender na Amazon.com.

Imagem: amazon.com